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Jeje Brasil
Djedje (jeje) é uma
palavra de origem yoruba que significa estrangeiro, forasteiro e estranho; que
recebeu uma conotação pejorativa como “inimigo”, por parte dos povos
conquistados pelos reis de Dahomey e seu exército. Quando os conquistadores eram
avistados pelos nativos de uma aldeia, muitos gritavam dando o alarme “Pou okan,
djedje hum wa!” (olhem, os jejes estão chegando!).
Quando os primeiros
daomeanos chegaram ao Brasil como escravos, aqueles que já estavam aqui
reconheceram o inimigo e gritaram “Pou okan, djedje hum wa!”; e assim ficou
conhecido o culto dos Voduns no Brasil “nação Jeje”.
Dentre os daomeanos
escravizados, uma mulher chamada Ludovina Pessoa, natural da cidade Mahi
(marri), foi escolhida pelos Voduns para fundar três templos na Bahia. Ela
fundou: um templo para Dan; “Ceja Hundê”, mais conhecido como o “terreiro do
Ventura” ou “Axé Pó Zehen” (pó zerrêm) em Cachoeira de São Felix; um templo para
Hevioso “Zoogodo Bogun Male Hundô” em Salvador e um templo para Ajunsun que não
se sabe porque não foi fundado. Esse é o segmento jeje-mahi do povo
Fon.
O templo de Ajunsun/Sakpata
foi fundado mais tarde pela africana Gaiacu Satu, em Cachoeira de São Felix e
recebeu o nome de Axé Pó Egi, mais conhecido por Corcunda de Ayá. São os Jejes Savalu ou Savaluno. Sakpata era rei da cidade Savalu/África,
segundo alguns historiadores, Sakpata foi o único rei que preferiu o exílio a se
render aos conquistadores de Dahomey. O dialeto dos savalus também é o
Fon.
No Maranhão
encontramos a Casa das Minas fundada por Maria Jesuína, segundo informação de
Sergio Ferreti. Creio que esta casa dispensa comentários, pois é com
certeza a mais conhecida casa de jeje do Brasil. Esse é o segmento do povo
Jeje-Mina.
Ainda no Maranhão encontramos a casa Fanti-Ashanti fundada
por Euclides Menezes Ferreira. Esse
é o segmento jeje-Fanti-Ashanti do povo Akan vindo de
Ghana.
No Rio de
Janeiro, foi fundado pela africana Gaiaku Rosena, natural de Allada, o “Terreiro
do Pó Dabá” no bairro da Saúde, que
foi herdado por sua filha Adelaide do Espírito Santo, mais conhecida como Mejitó
que transferiu a casa de santo para o bairro Coelho da
Rocha.
Depois veio Antonio.Pinto
de Oliveira. “Tata Fomutinho” que
fundou o Ceja Nassó, no bairro de Santo Cristo, depois mudou-se para Madureira
na Estrada do Portela, depois para São João de Meriti onde finalmente se
estabeleceu na Rua Paraíba.
Dizem os mais velhos, que
Mejitó, ajudou muito Tata Fomutinho no começo de sua vida de santo aqui no Rio
de Janeiro.
Tata
Fomutinho deixou uma legião de filhos, netos e bisnetos. Dentre esses, meu pai
Jorge de Yemanja que fundou o Kwe Ceja Tessi, Pai Zezinho da Boa Viagem que
fundou o Terreiro de Nossa Senhora dos Navegantes, Tia Belinha que fundou a
Colina de Oxosse e Amaro de Xangô
que é aquele tio que está sempre disposto a nos atender e nos ajudar com suas
memórias e conhecimentos.
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