Gankeke



 O gankeke é uma espécie de sino duplo sem nenhum pêndulo em seu interior, feito em duas peças de ferro, redondas e finas ao longo, como um funil, unidos no fim com um espaço entre elas, formando um cabo onde o tocador segura o instrumento. O pescoço do instrumento é encurvado e os tocadores dão batidinhas com uma peça de madeira. Também encontramos gankeke com apenas uma câmpula.
     Existem gankekes  de 20, 30 ou 50 cm de comprimento. Este maior é tocado especialmente nas cerimônias fúnebres.
     Ele produz um som agradável, ´kay´ ´kay´ ´kay´, de onde sai seu nome, acrescido de gan, que quer dizer ferro.
     Este instrumento é tocado principalmente por homens que, numa mão têm o gankeke e na outra o zangbetohoun, que é um outro instrumento musical, secreto, exclusivo da sociedade do Zangbeto. Seu propósito está em garantir a segurança do reino.
     Além de instrumento musical, o gankeke era utilizado para que as ordens do rei fossem comunicadas por um músico chamado kpalingan, uma espécie de repentista que vagueava pelo humpayme, cantando para todo o reino as ordens e notícias do rei.
     O kpalingan também era responsável por cantar sobre toda a genealogia dos reis do Dahomey.
     Assim, hoje, cada cantiga, cada reverência cantada tem um significado, uma mensagem precisa que pode ser compreendida apenas pelos iniciados.
     O gankeke também toca o ritmo gangbo, quando os Zangbeto, vigias da noite, saem em patrulha.
     O instrumento gangbo, de onde vem o ritmo de mesmo nome, também é uma espécie de gongo utilizado pelos Zangbeto.
     Nas comunidades e cerimônias dos Voduns, o gankeke é um instrumento tocado pelas sacerdotizas pela manhã e a noite, nos templos de Doudoua e de Dan, para saúde ou culto de adoração à esses deuses, além de procissões.
     Era também com o gankeke que as sacerdotizas "espantavam" a má sorte e os espíritos ruins dos palácio reais.