Djanouidah

Culto de Dan em Ouidah
 

1 - Dan no Benin - Ouidah

    O culto de Dangbé conheceu seu apogeu em Ouidah, onde está seu templo até os dias de hoje.  Os Dadas, seus adeptos, anualmente, faziam sacrifícios de bois, cabritos e frangos para a python.  Atualmente, devido à escassez de animais para sacrifício, os  adeptos arriscam-se caçando roedores

    Logo que um não adepto descobre uma Dangbé em sua casa, previne o sacerdote Dangbénon ou a uma pessoa que conheça os costumes deste réptil.  Eles pegam a cobra como um fetiche em sua mãos ou ao redor do pescoço e levam-na, silencioso e concentrado, até o templo. Eles acreditam que a picada da python traz imunidade contra qualquer veneno

     Dan é, freqüentemente, representado por uma serprente (python) ou um arco-íris.

    A primeira vista, alguns historiadores comentam tratar-se de ofiolatria.  Mas a serpente de que se trata aqui é um espírito que habita o espaço e cujo deslocação determina os ciclones.  Dan apreende-se do princípio vital do qual depende os seres humanos para manterem-se vivos e a terra em equilíbrio.  

    Para escapar de Dan, basta friccionar o corpo com boldos de cebola ou xingá-lo com palavras bem grosseiras.    Ainda sob a forma humana, Dan pode entrar em casas.  Os que o acolhem são recompensados com tesouros mas, quem o afasta, é amaldiçoado.

    Dan é muito guloso, grande apreciador de bananas e óleo de palma.  Recebe estas oferendas na frente de um pequeno par de assentamentos que representam Dan macho e Dan fêmea

                                          

                                                     - assentamentos de Dan, em Ouidah -

    Sua morada é o firmamento, onde se encontra sob a forma de arco-íris (Aido Wedo).  Não se mostra nunca sem sua fêmea.  Conta-se que há dois arco-íris, mesmo que só consigamos ver um, e que antes de sua ascensão, teria vivido 41 anos no nosso mundo.

    A configuração dos países, o lugar das cidades, os acidentes geográficos (montes, vales), são os vestígios de sua estada prévia em nosso mundo e o arco-íris, vestígios de sua estada remota.

    Os homens (sobretudo os caçadores) que Dan quer enriquecer, conduzem-no por uma força invisível ao local onde é chamado o rabo do arco-íris e são induzidos a tocarem na terra.  Os homens têm como efeito desta força invisível, um desejo de fazerem uma profunda escavação no que acham ouro, pérolas, toda sorte de tesouros.

    Dan protege nomeadamente o Danson, o Dansi e o Dannou.  A pessoa consagrada ao Dangbé é um Dangbési.

 

2 - A Floresta Sagrada

    A floresta foi consagrada pelo rei Kpassé, Ouidah, onde fizeram um círculo mágico, silencioso, transparente ao ar.  Os grandes deuses fixam seus duros olhos. Heviosso, Dan, Sakpata. E também os Voduns reais como Dâguessou, protetor do rei Ghézo, com seus poderes contidos em pequenas cabaças, fetiches em forma de bracelete.

    À entrada, o grande Legba figura numa expressão profana sob os irokos centenários, Tokougagba conta com os irmãos e todo o panteão dos Voduns.

    E toda a rota dos escravos é demarcada por esculturas de pedra, limite de uma memória fascinante e triste.

 

Meus comentários: (Yatemi Jurema de Yansã)

 Alguns segmentos Jeje no Brasil, não concordam que se deva tratar do casal de Dans. Outros usam esse procedimento somente para alguns Dans.

Pelo que aprendi e pelo que lemos  sobre o culto de Dan no Benin, podemos constatar que o correto é tratar do casal realmente.

fontes de consulta: