ERVAS: HISTÓRIA E RITO
Wanda de
Otolu
Vem dos tempos mais primórdios, a
história da utilização das plantas, tanto é que os próprios animais, quando
apresentam alguma enfermidade, buscam ervas para auto-tratamento. Também o ser
humano assim o fez, desde sempre. É certo que doenças sempre existiram, e que,
ao longo do tempo, foram sendo divididas em outras tantas.
Certo também que a alopatia (medicina convencional) não
nasceu junto com o primeiro "homus sapiens" a habitar o Planeta. Desta forma,
como os seres primórdios curavam suas doenças, senão pela utilização das ervas
existentes? Partindo-se deste raciocínio, não se precisa ir
tão longe, para se concluir que as plantas sempre acompanharam o ser humano,
seja na alimentação (auto-subsistência), quanto no tratamento de suas doenças.
Junto com isso, foram surgindo, como é de conhecimento histórico, as tribos, os
guetos, já que, cientificamente, tem-se conhecimento hoje de que a vida humana
surgiu mesmo no Continente Africano.
Dentro desta visão, sabe-se também, através dos
historidadores, que buscam resgatar a história humana no seu princípio, que, em
cada tribo, ou gueto, haviam os denominados hoje "curandeiros". A partir dos
rituais desenvolvidos, novamente as ervas foram inseridas em todo o processo
histórico.
Baseando-se neste conhecimento, tem-se a idéia exata da
dimensão da importância de todas as plantas. Inclusive, cientificamente, já se
descobriu até a "aura" de cada planta, através de equipamentos especiais que
captam até as diferenças vibracionais de cada erva. Com todos esses elementos
reunidos, é impossível que, ainda hoje, as criaturas humanas não valorizem o
conhecido "chazinho", ou até, quem sabe, não utilizem as cascas, os frutos, as
folhas, ou mesmo as flores e as raízes, em outras atividades.
No Candomblé, a árvore em si é de suma importância, tanto
que existem as árvores sagradas, desde a raiz, até o caule, as folhas e os
frutos. Os vegetais são imprescindíveis na prática religiosa. O ritual das ervas
é importante como elemento nos trabalhos espirituais. As folhas podem ser
utilizadas, tanto secas, como verdes. O caule é utilizado como marco numa Casa
de Santo e como sustentação em tenda, etc. A raiz é direcionada em cada fim
ritualístico.
As ervas, com seus elementos vitais, trazem a essência para o
crescimento espiritual.Cada elemento é atribuído à determinada natureza, de
acordo com a essência de cada Vodum, Orixá ou Inkice. Sem os rituais das ervas,
não seria possível o mínimo trabalho dentro de uma Casa de Santo. Em tudo, a
erva sempre presente, aproximando a essência de cada Ser
Espiritual.