Kennesis

 E quem foi que disse que no Daxomè não tem culto às Grandes Mães?

A diferença é quem eles também tem culto ao Baron Samedi, por influência do Haiti, existe uma estória muito interessante a este respeito, mas isso é em um outro artigo, merece seu próprio espaço.
Mas o que os Yorubanos chamam de Sorongàs, nós chamamos de Kennesis.

Aqui colocarei uma matéria sobre as Sorongás, considerando que sou uma Anagonù por iniciação e que mais a frente brirei um link só para as Kennesis.

As Senhoras do Pássaros da Noite!

 

Quando se pronuncia o nome de Yiá Mi Oxorongá,
quem estiver sentado deve-se levantar, quem estiver de pé fará uma reverência,
pois se trata de temível Orixá, a quem se deve apreço e acatamento.

( Jorge Amado ) 

 

Origem e história.

 

Iyá Mi Osorongá ( Ìyá Mi Osorongà ) é a síntese do poder feminino, claramente manifesto na possibilidade de gerar filhos e, numa noção mais ampla, de povoar o mundo. Quando os iorubás dizem "nossas mães queridas" para se referirem às Iyá Mi, tentam, na verdade, apaziguar os poderes terríveis dessa entidade.

Donas de um axé tão poderoso quanto o de qualquer orixá, as Iyá Mi tiveram seu culto difundido por sociedades secretas de mulheres e são as grandes homenageadas do famoso festival Gèlèdè, na Nigéria, realizado entre os meses de março e maio, que antecedem o início das chuvas do país, remetendo imediatamente para um culto relacionado à fertilidade.

Poder procriador, tornaram-se conhecidas como as senhoras dos pássaros e sua fama de grandes feiticeiras as associou à escuridão da noite; por isso também são chamadas de Eleyé  e as corujas são seus maiores símbolos.

A sua relação mais evidente é com o poder genital feminino, que é o aspecto que mais aproxima a mulher da natureza, ou seja, dos acontecimentos que fogem à explicação e ao controle humano. Toda mulher é poderosa porque guarda um pouco da essência das Iyá Mi; a capacidade de gerar filhos, expressa nos órgãos genitais femininos, sempre assustou os homens e as cantigas entoadas durante o festival Gèlèdè fazem alusão a esse terrível poder -- que não pertence apenas às Iyá Mi, mas a qualquer mulher.

Mãe destruidora, hoje te glorifico:

O velho pássaro não se aqueceu no fogo.

O velho pássaro doente não se aqueceu ao sol.

Algo secreto foi escondido na casa da Mãe ...

Honras à minha Mãe!

Mãe cuja vagina atemoriza a todos.

Mãe cujos pêlos púbicos se enroscam em nós.

Mãe que arma uma cilada, arma uma cilada.

Mãe que tem potes de comida em casa.

As mães são compreendidas  como a origem da humanidade e seu grande poder reside na decisão que tomar sobre a vida de seus filhos. É a mãe que decide se o filho deve ou não nascer e, quando ele nascer, ainda decide se ele deve viver. A mulher, especialmente nas sociedades antigas, tinha inúmeros recursos para interromper uma gravidez. E, até os primeiros anos de vida, uma criança depende totalmente de sua mãe; se faltarem seus cuidados a criança não vinga. Em síntese, todo ser humano deve  a vida a uma mulher. Se todas as mulheres juntas decidisses não mais engravidar, a humanidade estaria fadada a desaparecer. Esse é o poder de Iyá Mi: mostrar que todas as mulheres juntas decidem sobre o destino dos homens.

Mãe todo-poderosa, mãe do pássaro da noite.

Grande mãe com quem não ousamos coabitar

Grande mãe cujo corpo não ousamos olhar

Mãe de belezas secretas

Mãe que esvazia a taça

Que fala grosso como homem,

Grande, muito grande, no topo da árvore iroko,

Mãe que sobe alto e olha para a terra

Mãe que mata  o marido mas dele tem pena.

Iyá Mi é a sacralização da figura materna, por isso seu culto é  envolvido por tantos tabus. Seu grande poder se deve ao fato de guardar o segredo da criação. Tudo que é redondo remete ao ventre e, por conseqüência, as Iyá Mi. O poder das grandes mães é expresso entre os orixás por Oxum, Iemanjá e Nanã Buruku, mas o poder de Iyá Mi é manifesto em toda mulher, que, não por acaso, em quase todas as culturas, é considerada tabu.

As denominações de Iyá Mi expressam suas características terríveis e mais perigosas e por essa razão seus nomes nunca devem ser pronunciados; mas quando se disser um de seus nomes, todos devem fazer reverencias especiais para aplacar a ira das Grandes Mães e, principalmente, para afugentar a morte.

As feiticeiras mais temidas entre os iorubás e nos candomblés do Brasil são as Àjé e, para referir-se à elas sem correr nenhum risco, diga apenas Eleyé, Dona do Pássaro. O aspecto mais aterrador das Iyá Mi  e o seu principal nome , com o qual tornou-se conhecida nos terreiros, é Oxorongá, uma bruxa terrível que se transforma no pássaro de mesmo nome  e rompe a escuridão da noite com seu grito assustador.

As Yiá Mi são as senhoras da vida, mas o corolário fundamental da vida é a morte. Quando devidamente cultuadas, manifestam-se apenas em seu aspecto benfazejo, são o grande ventre que povoa o mundo. Não podem, porém, ser esquecidas; nesse caso lançam todo tipo de maldição e tornam-se senhoras da morte.

O lado bom de Iyá Mi é expresso em divindades de grande fundamento, como Apaoká, a dona da jaqueira, a verdadeira mãe de Oxóssi Dizem que o deus caçador encontrou mel aos pés da jaqueira e em torno  dessa árvore formou-se a cidade de Kêtu.

Os assentamentos de Iyá Mi ficam junto a grandes árvores como a jaqueira e geralmente são enterrados, mostrando a sua relação com os ancestrais, sendo também uma nítida representação do ventre. As Iyá Mi, juntamente com Exú e os ancestrais, são evocadas nos ritos de Ipadé, um complexo ritual que , entre outras coisas, ratifica a grande realidade do poder feminino na hierarquia do Candomblé, denotando que as grandes mães é que detém os segredos do culto, pois um dia, quando deixarem a vida, integrarão o corpo das Iyá Mi, que são, na verdade, as mulheres ancestrais.

[ Candomblé - A panela do segredo - Pai Cido de Òsun Eyin ]

Segundo nos conta um ìtàn do Odù Ogbé Òsá, diz que quando as Ìyámì chegaram do Òrun pousaram em sete árvores. Segundo um Ìtòn as árvores das Ìyámìs seriam:
Orogbò - Garcinea Cola.
Àjànrèré - Ficus Elegans.
Iroko - Chlorophora Excelsis.
Orò - Antiaris Africana.
Ogun Bereké - Delonex Régia
Arere - Triplochiton Nigericum.
Igi ope - Elaeis Guineensis.

Porém outra ìtàn nos da outra apresenta uma relação diferente das sete árvores estas seria as árvores sagradas das Mães Ancestrais:
Ose - Adansanonia Digitalia.
Iroko - Chlorophora Excelsis.
Ìyá - Daniellia Olivieri.
Asunrin - Erythrophelum Guineense.
Obobo - Não identificada.
Iwó - Não identificada
Arere - Triplochiton Nigericum.

 

até a onde eu sei foi assim que habitaram o Ayé.
1ª árvore habita foi do orobô.
2ª árvore habita foi a copa da araticuna-da-areia.
3ª árvore (galhos) foi do baobá.
4ª árvore Iroco Gameleira Branca.
5ª árvore (galhos) de Apakokà (jagueira).
6ª árvore Cajazeira.
7ª árvore Figueira.
Sendo que cada uma dessas árvores tem um sentido próprio no culto; para cada coisa que se deseja e no sentido do que vai ser feito e oferecidos para nossas Mães Ancestrais.